
Além da volta das férias, de cabelos resecados, de liquidações de verão, de cobrança de taxas públicas, o início de ano é tempo de rejustes. Tudo aumenta, das tarifas de ônibus e táxi às mensalidades escolares e da acadêmia. O mercado feminino não fica de fora, a tabela de preços de serviços de beleza sofrem mudanças significativas para o bolso, ou melhor, para a bolsa da mulher.
No caso de Eduarda, fazer as unhas no salão sempre foi item de primeira necessidade. Mas hoje é quase impossível encontrar serviço de manicure em um bom estabelecimento por menos de dezoito reais. Fazer a unha virou um mimo ao qual pode-se dar ao luxo apenas duas vezes ao mês e em ocasiçoes especiais. Nesses intervalos, ela tem que se virar sozinha com a acetona, o algodão, e os esmaltes.
Eduarda também tem prestado atenção na cotação da virilha, parte essencial da depilação: de doze passou para quartorze reais, depois para dezesseis, e agora está em dezoito. Isso ela até acha justo, afinal de contas, não é nada agradável para a profissional ficar arracando pêlos de uma parte tão íntima de outra mulher, a não ser que seja lésbica. Coisa pouco provável para Dalva, sua fiel depiladora-terapeuta.
Quando Eduarda juntou na calculadora os últimos gastos com manicure, depilação, sombrancelha, corte e hidratação de cabelos (sorte dela que sobrevive sem escova), limpeza de pele, considerando apenas o básico, encontrou um verdadeiro rombo no orçamento. E a grande causa disso é uma palavra: homem, ou melhor, namorado.
Conversando com Bia, Eduarda, usando como exemplo a depilação, disse que é favorável a uma taxa playgroud. A amiga feminista reagiu indignada.
_ Como assim? Isso não é legal, Duda. Eu me depilo para mim mesma, é uma questão de higiene pessoal.
- Você vai querer negar que quando você está com alguém as suas idas à depiladora são mais frequentes? – Eduarda rebateu.
- Pode até ser, mas não é certo querer cobrar por isso. Parece até prostituição.
- Peraí, eu não estou falando de fins lucrativos. Só acho que quando estamos saindo, ou namorando com um cara, gastamos bem mais do que ele para nos prepararmos: salão, roupa nova, até mesmo com o anticoncepcional. Ele podia pensar “poxa, ela se esforçou tanto para estar bonita hoje para mim, vou fazer uma gentileza e pagar a conta”. Eu tô falando apenas disso.
- Gosto de dividir todas as contas, inclusive de motel.
- Eu já saí com caras duros, não ligo de dividir conta. Mas acho que se o namorado ganhar mais que a namorada, não vejo problema dele pagar a conta ou mesmo lhe dar de presente uma limpeza de pele.
- Tá bom, então você ia gostar se o seu namorado falasse assim: “amor, sua pele tá um caquito, vá ao salão com urgência, eu pago”? – Bia ria – Ou então, assim: “você está parecendo uma urangotanga, quanto é a depilação?”.
Eduarda não aguentou e riu também.
- Bia, você coloca as coisas de uma maneira. Claro que não é assim. Homem não é bobo, finge que é para viver melhor. Poxa, você fica a tarde de sábado inteira no salão, volta outra mulher, é claro que não foi de graça. Ele pode muito bem oferecer ajuda para pagar ou dar uma roupa de presente para recompensar.
Naquele dia, as amigas mudaram o assunto, permancendo o impasse. Mas em outra ocasião, enquanto dirigia o carro e chateada com questões mais profundas que o pagamento de uma conta de restaurante, Bia disse:
- Duda, lembra quando conversamos sobre se era certo ou não dividirmos as contas?
Eduarda fez que sim.
No caso de Eduarda, fazer as unhas no salão sempre foi item de primeira necessidade. Mas hoje é quase impossível encontrar serviço de manicure em um bom estabelecimento por menos de dezoito reais. Fazer a unha virou um mimo ao qual pode-se dar ao luxo apenas duas vezes ao mês e em ocasiçoes especiais. Nesses intervalos, ela tem que se virar sozinha com a acetona, o algodão, e os esmaltes.
Eduarda também tem prestado atenção na cotação da virilha, parte essencial da depilação: de doze passou para quartorze reais, depois para dezesseis, e agora está em dezoito. Isso ela até acha justo, afinal de contas, não é nada agradável para a profissional ficar arracando pêlos de uma parte tão íntima de outra mulher, a não ser que seja lésbica. Coisa pouco provável para Dalva, sua fiel depiladora-terapeuta.
Quando Eduarda juntou na calculadora os últimos gastos com manicure, depilação, sombrancelha, corte e hidratação de cabelos (sorte dela que sobrevive sem escova), limpeza de pele, considerando apenas o básico, encontrou um verdadeiro rombo no orçamento. E a grande causa disso é uma palavra: homem, ou melhor, namorado.
Conversando com Bia, Eduarda, usando como exemplo a depilação, disse que é favorável a uma taxa playgroud. A amiga feminista reagiu indignada.
_ Como assim? Isso não é legal, Duda. Eu me depilo para mim mesma, é uma questão de higiene pessoal.
- Você vai querer negar que quando você está com alguém as suas idas à depiladora são mais frequentes? – Eduarda rebateu.
- Pode até ser, mas não é certo querer cobrar por isso. Parece até prostituição.
- Peraí, eu não estou falando de fins lucrativos. Só acho que quando estamos saindo, ou namorando com um cara, gastamos bem mais do que ele para nos prepararmos: salão, roupa nova, até mesmo com o anticoncepcional. Ele podia pensar “poxa, ela se esforçou tanto para estar bonita hoje para mim, vou fazer uma gentileza e pagar a conta”. Eu tô falando apenas disso.
- Gosto de dividir todas as contas, inclusive de motel.
- Eu já saí com caras duros, não ligo de dividir conta. Mas acho que se o namorado ganhar mais que a namorada, não vejo problema dele pagar a conta ou mesmo lhe dar de presente uma limpeza de pele.
- Tá bom, então você ia gostar se o seu namorado falasse assim: “amor, sua pele tá um caquito, vá ao salão com urgência, eu pago”? – Bia ria – Ou então, assim: “você está parecendo uma urangotanga, quanto é a depilação?”.
Eduarda não aguentou e riu também.
- Bia, você coloca as coisas de uma maneira. Claro que não é assim. Homem não é bobo, finge que é para viver melhor. Poxa, você fica a tarde de sábado inteira no salão, volta outra mulher, é claro que não foi de graça. Ele pode muito bem oferecer ajuda para pagar ou dar uma roupa de presente para recompensar.
Naquele dia, as amigas mudaram o assunto, permancendo o impasse. Mas em outra ocasião, enquanto dirigia o carro e chateada com questões mais profundas que o pagamento de uma conta de restaurante, Bia disse:
- Duda, lembra quando conversamos sobre se era certo ou não dividirmos as contas?
Eduarda fez que sim.
_ Acho que você tem uma certa razão. Hoje vivemos um feminismo às avessas. Eu fico me perguntando até que ponto conquistamos direitos ou fomos sobrecarregadas de deveres. Porque tudo acaba recaindo sobre a mulher, primeiro a responsabilidade de evitar o filho, depois a luta de ser mãe e ter uma profissão, e a eterna cobrança de ter que estar atraente. E para o homem, passou a ser normal ver a gente lidar com tudo isso. Não recebemos nem um obrigado. Só uma rosa do supermercado no Dia da Mulher. Quer saber? Faltam ações de gentileza nos relacionamentos.
