O filme Garota da Vitrine (Shopgirl, 2005) é uma adaptação do romance escrito e roteirizado por Steve Martin, ator que também estrela o filme, ao lado de Claire Danes e Jason Schwartzman.
A história gira em torno dos relacionamentos amorosos de Mirabelle Buttersfiel (Claire Danes), que desperta o interesse do jovem desengonçado e pouco promissor, Jeremy (Jason Schwartzman), e do cinqüentão bem sucedido, Ray Porter (Steve Martin).
No início do filme, o narrador descreve Mirabelle Buttersfiel como uma mulher perdida na imensidão de Los Angeles, à espera de sua alma gêmea. Segundo ele, seus contínuos fracassos começam a pesar sobre ela. E o que Mirabelle precisa é de uma voz que vire o foco para ela e diga a todos que aquela pessoa, que fica atrás do balcão da seção de luvas, tem valor.
Em outra seqüência, enquanto dirige, a protagonista escuta um programa de auto-ajuda no rádio. Basicamente a locutora diz:
“O ‘depois’ é mais importante para a mulher. Muito mais do que o próprio ato sexual em si. A mulher precisa ser abraçada. Ainda que, e a ciência prova isso, por alguém que não a ame. Isso libera hormônios. E a quantidade depende da intensidade com que é abraçada.
O primeiro melhor é aquele totalmente envolvente. Ele toma você nos braços e sussurra o quanto é bonita.
O segundo melhor é aquele com um braço. Ele está próximo a você, mas usa apenas um braço.
No terceiro, ele fica apoiado no cotovelo mas descansa o braço sobre seu estômago e olha para você.
Durante o quarto, você fica apoiada no ombro dele enquanto ele olha para o vazio.
Mas quando o primeiro melhor acontece, você se sente totalmente como uma mulher. ”
Tais palavras fazem com que ela telefone para um completo idiota, Jeremy.
Não tenho idéia de quão pautado na ciência esteja esse discurso. Mas tendo a concordar com ele. Nós mulheres, às vezes, nos contentamos com tão pouco devido à carência.
Embora seja uma ferrenha defensora do prazer feminino, reconheço a importância de um abraço e a nossa (minha) necessidade em se sentir protegida.
Mas aconselho as meninas a terem um olhar crítico para o desfecho do filme. Pois perpetua a condição subordinada da protagonista apresentada no início. Ainda que o reconhecimento de valor próprio pela personagem não passe diretamente pelo encontro de uma alma gêmea, Mirabelle tem que escolher necessariamente entre duas opções pouco acertadas: um jovem imaturo (que se mostra um pouco mais crescido) e um coroa emocionalmente inacessível. Acho que para o caso dela valeria a máxima: “antes só do que mal acompanhada”.
Recomendo às meninas que assistam ao filme pela boa interpretação dos atores e também pelo guarda-roupa inspirador da protagonista (aliás, quero todos os vestidinhos para mim). Mas um último aviso, os romances, bem como as comédias românticas, devem ser apreciados com moderação.