Tuesday, February 22, 2011

Pornô ou A diferença entre "fazer amor" e “trepar em"

Sentada na cama, Ela olha para o pôster do Enimem na parede e repara mais uma vez na semelhança dele com o rapper. Orgulhoso, já mostrou o banheiro que mandou construir só para ele no quarto. Disse que assim pode ficar mais à vontade, já que só tem mulher na casa e ele não suporta sutiã e calçinha na torneira do chuveiro.

Agora ele fala da sua coleção de CDs de Hip-Hop, na maioria pirata. Ele escolhe um e põe para tocar. Ela olha para a pilha enorme de tênis, alguns precisando ser levados.

Ele está bem à vontade, tirou a blusa e está descalço. As idas à academia têm surtido efeito. Ele é magro, o corpo muito bem definido. Os braços fortes e as costas trabalhadas terminam numa bunda fenomenal.

Ele se aproxima, senta na beirada da cama e pede para Ela ficar de pé. Ele olha para ela com admiração. Diz que ela é muito bonita e quer que ela seja sua. Ele tira sua blusa, toca seus seios, ela estremece. Ele abre o fecho da saia que cai no chão. Ela se sente ridícula, aqueles trajes ínfimos fazem com preferisse já estar nua.

Ele parece satisfeito. Ele a vira e confere sua bunda e diz que é redonda e grande. Comenta a calcinha, diz que ela acertou, é assim mesmo que ele gosta, pequena. Ele a senta no colo dele e ela percebe o volume. E fica aliviada, tinha medo que ele não sentisse tesão por ela. Eles se beijam. Beijo cheio de língua e saliva.

Ele está só de cueca. Debaixo dele, Ela se sente ainda menor. Protegida é a palavra. Ele a toca, ela gosta. Ele pede carinhos, ela atende. Ele se levanta para pegar a camisinha, coloca com a facilidade de quem já tem muita experiência.

Até então tudo é ótimo, quase perfeito. Tirando alguns pequenos detalhes, como o fato de que ele não é o Outro, o de antes. Ela gosta dele, mas não o ama, assim como ele também não a ama.

Ele lhe disse isso outro dia, Ela lembra bem.

Falou que estava preocupado, que ela parecia estar muito mais envolvida na relação do que ele. Completou dizendo que estava se esforçando para ser um bom namorado.

Ela achou tudo besteira, faltou rir na frente dele. Para ela, aquilo não passava de uma distração, no máximo, de uma tentativa desesperada de esquecer o Outro. Mas ali quase entregue, percebeu que talvez ele estivesse certo.

Mas é tarde, ele enfia o pau dele aos poucos. Dói. Dói muito. Deve ser porque faz muito tempo que não faz sexo. Ele continua. Ela geme, geme de dor. Ele pergunta se está tudo bem. Não, não está. Ela diz que sim. Ele continua, os movimentos agora são mais rápidos e intensos. Ele joga o corpo todo em cima dela. Ele soca com violência.

Neste momento, o termo trepar adquire o real sentido para Ela. Ela sempre achou brega dizer “fazer amor”, coisa de música de quinta. Mas agora ela vê que “fazer amor” é muito diferente de trepar. “Fazem amor” duas pessoas, juntas. Amor ela fazia com Outro que teimou ir embora, quando o beijo tinha gosto de baunilha. E trepar, apenas se “trepa em”, como ele está trepando nela, assim como podia estar trepando em outra pessoa, ou até em outra coisa.

E a tristeza vai invadindo Ela, da mesma forma brutal que aquele pinto. E ela não contém as lágrimas. Ela pede para ele parar e sair de cima dela. Ele para surpreso e suado.

_ Ei, por que está chorando? _ fica preocupado. _ Fiz alguma coisa de errado? Eu estava me esforçando para lhe agradar. Pensei que estivesse gostando _ ele lhe abraça e a beija na testa.

E Ela se dá conta de que para ele aquilo possa ser carinho, e isto a deprime mais. O Outro está longe agora, pior não quer estar perto. E o que a realidade oferece são homens que trepam, não porque não tenham sentimentos. Talvez porque a vida adulta seja assim mesmo, sem graça. Basta agora ela deixar de lado a garota dentro dela e aprender a “trepar em”.

O choro de Ela cessa. Ela limpa as lágrimas, se vira para ele, pede desculpas. Diz que estava doendo um pouco e só isso. Alega que tem muito tempo que não pratica. Ele acredita ou finge. Não importa. Ele a aperta contra o corpo dele. Diz palavras do tipo “você é especial para mim”. Ela acredita ou finge. Não importa. Tentam de novo.

1 comments:

Therus said...
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